A ansiedade, muitas vezes, surge quando o sujeito sente que não tem sustentação suficiente no mundo. Ela não é apenas um excesso de preocupação, mas a expressão de um desamparo antigo, de experiências em que não foi possível confiar plenamente em si mesmo ou no ambiente. Para Winnicott, a experiência de estar suficientemente amparado na infância é fundamental para desenvolver confiança, espontaneidade e capacidade de lidar com o incerto.
No processo analítico, a ansiedade encontra um espaço seguro para se manifestar sem ser julgada ou reprimida. O analista oferece presença constante e confiável, criando condições para que o sujeito experimente a própria vulnerabilidade sem se sentir engolido por ela. Através da escuta atenta e do vínculo terapêutico, o paciente pode gradualmente distinguir entre o que pertence ao medo interno e o que é fruto de experiências passadas, aprendendo a responder ao presente de maneira mais consciente e menos automática.
A análise permite que o sujeito recupere a sensação de solo sob os pés, tornando-se capaz de lidar com os medos sem se perder neles. Ao reconhecer as partes de si que geram ansiedade e compreender suas origens, é possível transformar o pânico ou a inquietação em energia vital, abrindo caminho para uma relação mais segura consigo mesmo e com os outros.
Psicóloga – Psicanalista Caroline Ferreira Fernandes Guimarães
CRP 04/66547
